Depressão ou tristeza?

     O estigma associado à depressão acarreta um custo enorme para quem a vive. A sociedade incute a perspetiva de que devemos ser fortes, de que é só um dia mau. E quando não é apenas um dia mau? Quando a força já fraqueja?

Estar deprimido não é o mesmo que estar triste.

     Estar deprimido é transportar dentro de nós uma tristeza tão profunda que não nos permite sentir mais nada, não nos permite olhar além. É de alguma forma estarmos perdidos em nós. É estar rodeado de pessoas mas ainda assim estar só.

     Todos nós já vivemos horas ou dias menos bons, já visitamos o nosso lado mais pessimista, já conhecemos os solos que caracterizam a depressão sem que necessariamente soframos de depressão.

     A depressão é uma doença que vai além da sensação de tristeza. Ela acarreta exaustão mental, perda do interesse em realizar atividades que antes eram prazerosas e um enorme sentimento de vazio. É uma das doenças psiquiátricas mais frequentes e estima-se que afeta mais de 300 milhões de pessoas, o que equivale a 4,4% da população mundial. É uma doença que envolve o corpo, o humor e os pensamentos. Esta pode afetar a alimentação, o sono, a visão que temos de nós próprios e o modo como pensamos em relação às coisas.

O que difere a depressão da tristeza?

     A depressão é diferente da tristeza. A tristeza é uma emoção natural que poder aparecer em várias circunstâncias da nossa vida ou mediante acontecimentos e contextos desagradáveis e dolorosos como perdas por morte de um familiar ou uma separação, uma discussão com alguém, ou até mesmo as saudades de alguém ou algo. Cada pessoa sente a tristeza à sua maneira, de forma mais leve ou mais intensa. Geralmente, a tristeza tem uma origem conhecida. A pessoa que se sente triste geralmente sabe porque se sente dessa forma, há um motivo que explica esse sentimento, no entanto, a tristeza tende a atenuar-se ao longo do tempo.

     Na depressão a tristeza é constante, profunda e sem razão de ser, abrangendo todas as áreas da vida e afetando de forma negativa o nosso dia. Na depressão existe sempre uma redução significativa do bem-estar da pessoa, desorganizando todas as áreas da vida. Quando padecemos de depressão nada nos arranca um sorriso, perdemos a capacidade de apreciar as coisas boas da vida. As pessoas que sofrem de depressão não percebem o que causa a angústia, mesmo que aconteçam coisas boas, estas pessoas continuam tristes e sem esperança.

O que causa a depressão?

     Existem várias teorias sobre as possíveis causas da depressão. Uma das teorias mais estudadas aponta para alterações bioquímicas no cérebro dos pacientes que sofrem desta doença. O tipo de personalidade pode também representar um fator de risco para o desenvolvimento da depressão, bem como características como o pessimismo e a ansiedade. Também alguns fatores externos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. O uso de alguns medicamentos podem também desenrolar episódios depressivos como efeito secundário. Além destes fatores, as mulheres parecem mais vulneráveis a esta distúrbio durante alterações hormonais intensas.

Quando pedir ajuda?

     Pedir ajuda é um gesto de coragem e o primeiro passo para conseguir melhorar. Existem alguns sintomas que nos indicam que está na hora de pedir ajuda:

  • Tristeza ou humor deprimido;
  • Perda de interesse ou prazer em atividades antes apreciadas;
  • Alterações no apetite – perda de peso ou ganho não relacionado à dieta;
  • Problemas para dormir (insônia) ou dormir demais;
  • Perda de energia ou aumento da fadiga;
  • Baixa autoestima e presença de sentimentos de culpa;
  • Dificuldade para pensar, concentrar ou tomar decisões;
  • Pensamentos de morte ou suicídio

     Além de afetar a vida pessoal, a depressão tem também um papel importante na diminuição do bom desempenho na vida profissional e académica.

O caminho doloroso que pode levar ao suicídio

     Não existe luz ao fundo do túnel. O amanhã não parece ser melhor. Podemos ficar presos na dor e no sofrimento e acreditar que não existe saída.

     De alguma forma sentimo-nos impotentes face ao que sentimos, face ao que fazer para sair daquela rede de emoções perturbadoras. Nestes casos, a ideia de morrer pode surgir associada à ilusão de trazer algum conforto. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio, estas mortes poderiam ser evitadas com simples ato de pedir ajuda.

     As pessoas que que pensam neste ato estão perante um sofrimento extremo e padecem de uma doença mental que altera, de forma radical, a perceção da realidade. O tratamento da doença mental é sempre o pilar mais importante para a prevenção deste comportamento.

Prevenir é a palavra de ordem!

     É importante salientar que a depressão é uma doença que tem cura. Como qualquer outra doença, a prevenção continua a ser a nossa melhor aposta. Quando diagnosticada e devidamente acompanhada, podemos evitar inúmeros prejuízos desta perturbação tão incapacitadora. Se não consegue ver esperança no futuro, ou conhece alguém que possa estar a passar por este problema, peça ajuda. Lembre-se, prevenir é o melhor remédio, estou aqui para o ajudar.

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