Procrastinar é o comportamento de adiar o que era suposto ser feito agora.
Deixar tudo para depois e não fazer o que precisa ser feito.
Este comportamento pode ser prazeroso no momento em que decidimos adiar as tarefas para depois, no entanto, quando este comportamento se torna recorrente pode comprometer a qualidade das nossas responsabilidades.
Estes comportamentos de procrastinação são relativamente recorrentes, porém, podem gerar stress, culpabilização, baixa produtividade e vergonha.
ADIAR, ADIAR E ADIAR… E AS CONSEQUÊNCIAS?
Evitar tarefas importantes substituindo-as por outras tarefas.
Um procrastinador deixa para o fim as tarefas que tem mesmo de fazer, abraçando tarefas menos importantes, mas que lhe parecem mais interessantes ou prazerosas.
Vários estudos têm mostrado que a procrastinação pode condicionar o sucesso pessoal e profissional dos indivíduos que se deixam cair nesta tentação.
Um procrastinador crónico é menos saudável e menos feliz. O procrastinador crónico tende também a ser mais ansioso e a ter uma baixa autoestima.
A PRESSÃO DO MUNDO ATUAL E A PROCRASTINAÇÃO
O ritmo de vida em que estamos inseridos, as situações stressantes a que estamos expostos, a ansiedade, as exigências e as expectativas têm um papel determinante no deixar para amanhã o que podemos fazer hoje.
O peso de querer ser perfeito e corresponder às exigências da sociedade, de forma contínua, pode criar bloqueios.
A solução: adiar!
Quando colocamos demasiada pressão em nós próprios, sentimo-nos pressionados e acabamos por não realizar as tarefas que deveríamos.
Se diminuirmos as expectativas, vamos sentir-nos mais relaxados, menos ansiosos e mais capazes de ser produtivos e arranjar soluções adaptadas às nossas necessidades.
Para fazer hoje e não amanhã, por onde começo?
- Gerir as emoções e não o tempo (ao contrario do que possa pensar, a procrastinação está mais relacionada com uma gestão emocional do que de tempo);
- Dividir tarefas, passo a passo. Estabelecer objetivos e prazos de entregas;
- Limitar as distrações: televisão, telefonemas desnecessários, youtube, redes sociais, etc;
- Recompensa pessoal após terminar a tarefa: estimula e ajuda a melhorar o hábito de iniciar e concluir as tarefas nos prazos estipulados.

O CÉREBRO DE UM PROCRASTINADOR
Sempre que o prazer imediato supera a capacidade que temos de adiar a gratificação, adiamos as coisas que temos para realizar.
Isto acontece quando no nosso cérebro, o sistema límbico e as partes responsáveis pela recompensa imediata entram em conflito com o nosso córtex pré-frontal.
Ambas as regiões libertam dopamina, conhecida como o neurotransmissor do prazer, no entanto, reagem de formas distintas.
No córtex pré-frontal esta libertação de dopamina faz com que nos concentremos e nos dediquemos à tarefa, baseando-se no benefício da recompensa; por sua vez, no sistema límbico, juntamente com outros neurotransmissores faz-nos sentir prazer, tendo em conta apenas o momento imediato.
Para contornar a procrastinação devemos adotar uma abordagem focada nas etapas, assim, as pequenas conquistas são celebradas fazendo com que o cérebro liberte dopamina, auxiliando assim o sistema de recompensa.
TEM PODER QUEM AGE
O que aparece primeiro, a motivação ou a ação?
A primeria resposta a surgir na nossa cabeça será a motivação.
Esta será a resposta dada por grande parte dos procrastinadores.
No entanto, a resposta certa é: Ação!
Quando iniciamos uma tarefa e percebemos que as coisas não estão a correr tão mal quanto imaginávamos, ganhamos mais vontade de as realizar.

A regra é simples, quanto mais fazemos, mais vontade temos de fazer.
Vamos tomar como exemplo o exercício físico, após alguns treinos ou idas ao ginásio achamos que afinal até nos estamos a sair bem nesta nova atividade, isto vai gerar motivação que por sua vez vai criar em nós mais vontade de praticar exercício físico.
BANIR O “TENHO QUE…” E O “DEVO FAZER…” DO NOSSO VOCABULÁRIO PODE AJUDAR?
Os procrastinadores verbalizam frequentemente este tipo de frases: “Devia começar a arrumar a casa…”, “Tenho que começar a treinar”, “Devia estudar para o exame…”.
Este tipo de verbalizações gera um sentimento de culpabilização que na maior parte das vezes não acrescenta nada positivo ao procrastinador, pelo contrário, estas verbalizações instalam um sentimento de culpa enorme levando as pessoas a sentir ansiedade e a evitar as tarefas a ser realizadas.
Devemos alterar estas verbalizações por frases mais positivas e que nos façam ver o ganho de ser produtivo.
Ao invés de dizer “Devia começar a treinar” podemos dizer “É vantajoso para mim começar a treinar porque vou ficar em melhor forma e vou gostar do que vou ver no espelho.”.
Focar no que vamos ganhar é uma boa maneira de encarar a situação com uma nova perspetiva, a tarefa passa a ser encarada como algo que me vai trazer retorno e não como um peso desagradável.
Se for vantajoso para nós, fazemos porque queremos e não porque devíamos.
A procrastinação é essencialmente uma questão e condição comportamental, assim, a ajuda de um profissional de psicologia pode ser uma mais valia.
Adquirir novas ferramentas e padrões comportamentais podem ser as chaves para o sucesso e vencer a procrastinação.
Não seja crítico demais, evite pensamentos catastróficos como “Eu não consigo.”, em vez disso procure meios que favoreçam e estimulem a mudança.
Mudanças de hábitos são sempre um desafio, no entanto, lembre-se que fazemos o que fazemos porque temos algum ganho.
Será importante pensar no que vai ganhar com as alterações de hábitos ou rotinas, se o ganho for superior à recompensa do padrão comportamental atual, então valerá a pena o desafio.